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É tempo de olhar no retrovisor
do TRC

Roque Picorelli (3° a partir
da esquerda, segurando os filhos sobre o paralama) e sua
equipe
(foto mais antiga da empresa)
No horizonte de 2011, surgem como acontecimento de destaque
os 80 anos da Picorelli Transportes, de Juiz de Fora (MG).
Até que ponto a sua prodigiosa longevidade pode ser
a estaca do km zero do TRC como ramo de negócio?
LUCIANO ALVES PEREIRA
O dia 17 de setembro é dedicado ao Transportador
Rodoviário de carga, desde 1993. Em 2010, o setor vive
fase de incomum crescimento. Ulisses Martins Cruz garante
que, desta vez, não se trata de bolha: “O TRC
ganhou um novo patamar”. Em 40 anos de rodo-jornalismo,
é garantido que nunca ouvi afirmativa igual. Ulisses
é presidente do Setcemg (sindicato das transportadoras
de Belo Horizonte) e teve uma pesquisa a reforçar suas
palavras. Entrevistados por gente de campo, 58% dos empresários
de carga disseram ter alcançado o faturamento do período
pré-crise de 2009, enquanto as vendas de caminhões
no atacado (excluindo os abaixo de seis toneladas) somaram
104.363 unidades nos primeiros oito meses de 2010, representando
64% de expansão sobre igual período de 2009
(fonte: Anfavea).
É nesse ambiente inédito que
se encaixa o olhar no retrovisor. Aproveitando a data e a
euforia, pergunta-se à História: quando surgiu
o TRC no Brasil? O desconhecimento de si próprio compõe
o quadro de oscilante auto-estima do setor, essa dedicada
força empurradora da economia, embora muitos a ataquem
com fantasiosas lamúrias pró-ferrovia. Em Minas,
há um belo começo para pesquisa. Têm-se
as confiáveis anotações da Picorelli
Transportes, de Juiz de Fora, datadas de 1931. Um único
registro seria suficiente? Então que se manifeste quem
souber de outro mais antigo. Mas, desde já, os especialistas
da Arqueologia das Organizações contam com valioso
material de estudo da Picorelli, prestes a completar 80 anos
de atividades em 2011. Sua longevidade superou extensa lista
de obstáculos posta e imposta ao ambiente de negócios.
CONCORRÊNCIA - Para iniciar,
por exemplo, a puxada de couro do Curtume Krambeck e dos tecidos
da Bernardo Mascarenhas, ambas locais, tinha de contar com
estradas de rodagem em 1931. Os caminhões, muitas vezes
também com sacas de café, seguiam para o Rio
– rumo à exportação – valendo-se
da bem encascalhada estrada União & Indústria,
entre Juiz de Fora e Petrópolis. Esta via histórica
fará o 150°. aniversário também no
ano que vem, tendo sido pensada e construída somente
para o tráfego de diligências. À época,
a Picorelli usava ainda a ligação Rio-Petrópolis,
concluída pelo presidente rodoviarista Washington Luiz,
por volta de 1928. Ao presente breve relato, porém,
não pode faltar o registro do começo da concorrência
de frete com os perdedores trens da Central do Brasil e da
Estrada de Ferro Leopoldina, ambas com bem dotadas estações
locais. Na opinião do José Moreira, um dos fundadores
de Minas-Goiás, de Belo Horizonte e testemunha da derrocada
do transporte de carga sobre trilhos, na região do
Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro, “a
fuga de clientes se deveu à operação
desmazelada do negócio por ferroviários, então
recém-chegados à condição de funcionários
públicos”.
Quanto aos precoces pioneiros do ramo - os irmãos
Roque e Galileu Picorelli -, consta que eles fundaram primeiro
o Rodoviário Camerino, em 1931, passando a Picorelli
& Cia. Ltda., em 1936. Já aqui apareciam como sócios
apenas Galileu e José Salvador Paura, que saiu em seguida.
Ficou o outro, encarregado de expandir o limitado formato
da empresa de filial única – no Rio – e
abrir a de São Paulo (1957) e a de Belo Horizonte (1960).
Sem abandonar o pátio da carga fracionada, a Picorelli
Transportes de hoje tem o seu comando nas mãos de José
Antônio de Assis (genro de Galileu) e Alexandre Picorelli
Assis (pai e filho). Este, da terceira geração.
Já a empresa mantém a atuação
sobre o tripé MG, SP e RJ.
http://www.cargapesada.com.br/noticias/noticia_ver.php?id=3322
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